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NAVALNY: O ESTICAR EXCESSIVO DA CORDA

8 de fevereiro de 2021

Sem dúvidas, Vladimir Putin é a figura mais influente da Republica Federativa Russa desde a dissolução da União Soviética. Substituto de Boris Yeltsim, Putin tem aumentado substancialmente o seu poder domestico e mundialmente, sendo distinguido várias vezes pela prestigiada revista Forbes como a personalidade mais poderosa do mundo.

 

O líder do Kremlin assumiu o poder com o intuito de resgatar o orgulho russo que se perdeu com a queda da União Sovietica e afirmar os interesses nacionais do seu país no sistema internacional. Pelas reformas económicas empreendidas pelo seu governo, o seu carisma e as acções que tem empreendido no exterior (mormente acções militares) em prol do equilíbrio do poder, Putin é encarado como o sustentáculo da Federação Russa e os seus níveis de aceitação interna são bastante elevados há cerca de 20 anos.

 

Com Putin, a nível da mensuração cratológica, a Russia voltou a aumentar o seu poder no sistema interncional. Nos confrontos em que está diretamente envolvido, o que mais se destaca é a guerra da Síria, onde os Estados Unidos e outras potências ocidentais da NATO haviam se envolvido e fragilizado Bashar Al Assad, Presidente da Siria, cujos apoios que recebia dos seus parceiros do Médio Oriente não eram substanciais. Contudo, a intervenção da Rússia na Síria (anuída pelo governo de Assad), concludentemente, mudou completamente o cenário. De tal modo que actualmente vê-se Assad como o vencedor desta guerra. Se não fosse a intervenção da Russia de Putin, Assad teria certamente o mesmo fim que teve Muamar Khadafi, por exemplo.

 

Putin tem vencido as eleições com margens bastantes folgadas. Não se vislumbra um partido político ou político que faça frente direta ao seu poder. Entrementes, nos últimos anos, uma figura tem sido apontada como o seu principal opositor. Trata-se de Alexei Navalny.

Apesar da ampla cobertura mediática que Navalny recebe das plataformas de noticias Ocidentais anti-putin, ele não suplanta a popularidade do actual líder da Russia (que atingiu o seu máximo com 80% em 2014 e apesar da queda continua alta na casa dos 64%, segundo dados de 2020).

 

Por conseguinte, não se olhava com seriedade a oposição feita por Alexei Navalny. Nos primeiros anos via-se como uma figura pouco relevante, um simples ativista que denunciava esquemas de corrupção dos oligarcas russos, alguns dos quais associados a Vladimir Putin. Entretanto, houve vários incidentes envolvendo Navalny, tais como negação da sua candidatura para concorrer às eleições para as câmaras estatais ou para a presidência da República, pelo fato de pesar sobre si vários processos judiciais, que a sua defesa sempre alegou como manobras de perseguição política. Muito mais recentemente, circulou mundialmente a noticia sobre o seu envenenamento.

 

Este facto fez com que várias entidades internacionais se posicionassem em defesa deste opositor do líder da Russia. Inclusive a Inglaterra impôs sanções contra o país, pois, segundo os Britânicos, um agente dos serviços secretos envenenou-o. De seguida, Navalny foi transferido para Berlim, onde as autoridades locais confirmaram o suposto envenenamento. No entanto, o governo russo pediu as provas, mas não foram apresentadas.

 

Navalny recuperou-se na Alemanha e decidiu regressar para a Russia, onde foi imediatamente detido, o que gerou críticas de vários líderes políticos e organizações ocidentais, tal como a União Europeia cujo Chefe da diplomacia da União Europeia, Joseph Borell, deslocou-se a Rússia a fim de pedir a sua libertação.

 

Os acontecimentos que envolvem Alexei Navalny nos remetem a um cenário em que se esteja a esticar demasiado a corda. O modo como as autoridades soviéticas lidam com Navalny favorece-o e alarga a sua base de apoio. Isto foi evidente quando ele saia da Alemanha para Rússia, onde havia um número bastante alto de apoiantes seus a sua espera no aeroporto, bem como as recentes manifestações que tiveram lugar na Russia contra a sua detenção. Qualquer coisa que acontece contra ele, na verdade, é motivo de maior oposição ao presidente Putin, assim como é motivo de maior pressão externa à Rússia enquanto país. As autoridades russas estão a fazer de Navalny uma figura bastante importante e imprescindível da política russa. Isso faz com que ele crie ninhos de oposição.

 

Se antes eram somente as pessoas das metrópoles que se reviam neste opositor de Putin, o aumento da pressão sobre si Navalny aumentou e sua consequente resistência política, mostrando que não tem nenhum receio e vai continuar a lutar, e que acredita nesta luta que está a empreender. Esta atitude impulsionará mais pessoas a se identificarem com a sua luta, naturalmente, poderá criar ninhos resistência em diversas partes da Rússia por meio de organizações idênticas a que criou.

 

As autoridades russas acreditam que estejam a abnegar o opositor. Elas fazem isto como forma de extinguir quaisquer resquícios de oposição forte à liderança de Vladimir Putin. No entanto, todas as intentonas contra Alexei Navalny o fortalecerão cada vez mais.

 

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