artigo

ESTADOS UNIDOS: ENTRE CERTEZAS E INCERTEZAS

21 de janeiro de 2021

Os Estados Unidos organizaram as últimas eleições presidenciais em novembro de 2020. Deste processo Joe Biden foi consagrado como o vencedor, por conseguinte, o presidente-eleito do país. Foi previamente parabenizado por diversos estadistas de todo o mundo.

 

No entanto, Donald Trump não aceitou o resultado das eleições, alegando que houve fraude. Disse que levaria as suas reivindicações até as últimas consequências e terminaria somente com a reversão do processo. A liderança do Partido Republicano apoiou-o nestas vindícias, mas muitos partidários desta força política apresentaram publicamente a pretensão de que o processo continue como está.

 

Os apoiantes de Trump fizeram uma manifestação pacífica para demonstrar o seu apoio ao então candidato eleitoral, ou seja, desaprovação a suposta fraude eleitoral cometida pela equipa da campanha eleitoral de Joe Biden. Pelo que consta, parece que os apoiantes de Trump não ficaram satisfeitos com aquela manifestação e um grupo de seguidores decidiu invadir o Capitólio dos Estados Unidos. Pela forma como se procedeu o acto, as movimentações dentro do Capitólio, pode-se considerar que aquela invasão foi criteriosamente preparada. Não foi um acto espontâneo.

 

Por isso, aquele grupo de apoiantes pretendiam passar mensagens claras sobre as suas motivações políticas. Pode ser entendida como uma atitude desesperada de demonstrar o desagrado com a elite política tradicional dos Estados Unidos. Deixando claro que os seus representantes tornam aquele espaço uma confusão, que não representa muitas pessoas que os elegem e que alguns americanos estão dispostos a incorrer a práticas criminosas ou atos chocantes como forma de luta política.

 

Seja qual forem as razões dos invasores, o que é objetivamente factível é que estas revindicações deslegitimaram as revindicações de Trump em relação a negação dos resultados eleitorais. Porquanto, esta invasão teve efeitos negativos sobre o próprio Trump, aumentando as criticas a este político e seus apoiantes. Ou seja, o problema deixou de ser uma situação com reações exclusivamente de americanos, para se tornar um problema onde diversos Estadistas, inclusive Papa Francisco, reagiram criticando o que sucedeu.

Além disso, pela sua repercussão, de alguma forma impulsionou Trump a aceitar abandonar a presidência – antes deste acontecimento negava veemente essa possibilidade e tal facto gerou à mistura a abertura de um processo de impeachment (sob liderança e aprovação dos Democratas e 10 votos republicanos) contra Trump, tornando as discrepâncias no partido republicano mais evidentes.

 

Por conseguinte, os últimos acontecimentos da administração Trump terão criado consequências graves para democracia americana que se vai refletir nos próximos anos. Esta administração fez com que muitas questões que aconteciam no sobsolo da internet ou em grupos privados das redes sociais, viessem na praticidade da vida política norte-americana. Os “trolls” ganharam legitimidade política, passaram a exigir direitos políticos para manifestar as suas ações. Tendo em conta, a força que eles ganharam, não a perderão de forma abrupta, nos próximos anos vão continuar a manifestar as suas ações. Além dos “trolls” há muitos outros grupos que estavam no sobsolo, que ganharam ímpeto de aparecer na superfície com muita força. Num contexto onde, para a luta política, a pós-verdade é predominante, ou seja, os factos já importam, o que importa são as convicções baseadas em emoções. Este cenário ainda vai prevalecer nos próximos anos.

 

As acções irresponsáveis de Trump e seus seguidores minaram muito o “Soft Power” dos Estados Unidos. O principal porta-bandeira da hegemonia norte-americana no mundo são os seus princípios e valores, como a democracia representativa, a economia liberal, respeito pela liberdade individual e o respeito pelos direitos humanos, duma forma geral. As ultimas ocorrências da administração Trump põe em cheque estes princípios e valores. Porquanto, demonstra que a democracia norte-americana está repleta de defeitos e vícios. Consequentemente, não têm moral para transferir estes defeitos e vícios para outros Estados.

 

Ilustra, outrossim, que poderá ocasionar um maior afastamento entre as elites políticas e a população. Os próximos pretendentes a candidato às eleições presidenciais vão passar por crivo muito forte das lideranças dos dois principais partidos políticos norte-americanos. Quando Trump concorreu para as eleições primárias do partido republicano disse: “Bernie Sanders will not win, bacause the system is against Bernie Sanders” (Bernie Sanders não vencerá, porque o sistema é contra Bernie Sanders). O sistema norte-americano foi estruturado de tal forma que pessoas com ideias comunistas como Bernie Sanders não têm a mínima chance de ganhar as eleições primárias, mesmo que tenham muita popularidade. Com o toda essa confusão perpretada pela Administração Trump, a próxima de categoria de indivíduos cujo o sistema será contra elas, serão indivíduos que tem as ideias e posturas de Donald Trump.

 

Estados Unidos

Democracia

Violência

Donald Trump

Eleições nos EUA